quarta-feira, 27 de abril de 2016

O sonho de Gonçalves Correia


O sonho de Gonçalves Correia

O escritor Raul Brandão, muito conhecido entre nós pelo seu livro “As ilhas desconhecidas”, quando morreu, em 1930, deixou uma obra incompleta “Os operários” que, embora anunciada durante a sua vida, só foi publicada, em 1984, pela Biblioteca Nacional, com fixação do texto, notas, prefácio e introdução da responsabilidade de Túlio Ramires Ferro.

Para a sua obra Raul Brandão entrevistou o caixeiro viajante António Gonçalves Correia, que, em 1910, passou pela ilha de São Miguel e que segundo ele era “um revolucionário que quer levar a humanidade a uma vida mais perfeita e mais bela pela bondade”.

Gonçalves Correia foi um homem coerente com os seus ideais tolstoianos, tendo estendido o amor e a compaixão a todos os seres vivos, de tal maneira que na Comuna da Luz, que fundou, suprimiu da alimentação o consumo de animais e defendeu como primeiro passo o vegetarianismo para atingir a meta que era o crudivorismo.

Ainda em relação aos animais, um autor anónimo que escrevia para um jornal anarquista resolveu surpreender Gonçalves Correia em casa e ficou atónito ao “encontrá-lo com um jarro de água na mão, aguardando que algumas formigas saíssem do lavatório onde se queria lavar.

Outro episódio contado no mesmo jornal está relacionado com o facto de, perante a crise de trabalho, alguns trabalhadores rurais irem apanhar pássaros para depois os vender no mercado. Para que os animais não sofressem “Gonçalves Correia, quando se encontrava em Beja, ia ao mercado e, no centro da cidade, às portas de Mértola, comprava a passarada e, abrindo as gaiolas, punha os pássaros a voar em liberdade. Este ato era para ele uma grande alegria, ver os passaritos sair do cativeiro. Cofiando a barba, ria; ria até sair o último prisioneiro”.

Na Comuna da Luz, as crianças, também, eram ensinadas a “respeitar a vida dos animais e não os fazer sofrer”.

Para Gonçalves Correia o objetivo dos seus projetos, Comuna da Luz e Comuna Clarão era tolstoiano. O que pretendia era salvar as crianças das ruas e fazer delas pessoas honradas.

Sobre Gonçalves Correia, escreveu Raúl Brandão: “De maneira que Gonçalves Correia dá-me vontade de rir pela sua ingenuidade, pelo seu tolstoianismo – mas acaba por se me impor. Este homem, que pretende realizar um sonho, dá a esse sonho tudo o que ganha, e, apesar da guedelha, das considerações ingénuas, faz-me pensar”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30920, 27 de abril de 2016, p 15)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A Ideia 75/76


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Vida Nova nº 9

sábado, 2 de janeiro de 2016

A CRISE DA BASE DAS LAJES, A TAUROMAQUIA E O DESPERDÍCIO DE DINHEIROS PÚBLICOS

A CRISE DA BASE DAS LAJES, A TAUROMAQUIA E O DESPERDÍCIO DE DINHEIROS PÚBLICOS

O ano de 2016 não temos dúvida voltará a ser um ano negro para os animais na ilha Terceira. Com efeito, apesar da crise da provocada pela diminuição da presença militar americana da Base das Lajes, que nunca deveria ter existido, os governantes locais não se cansam de apoiar a tauromaquia, em vez de investir seriamente na saúde, na segurança social e no apoio aos mais desfavorecidos que o sistema capitalista suportado por eles vai criando.

Tudo vai continuar como está e já temos o primeiro anúncio a demonstrar que a tortura de animais vai continuar a reinar para prazer de sádicos. Assim a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo vai apoiar mais uma feira taurina com mais 100 mil euros.

Para os leitores ficarem com uma ideia do desperdício de dinheiros públicos por parte daquela autarquia, só nas touradas das Sanjoaninas, apresenta-se um quadro com os valores dos últimos anos.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Contra

domingo, 4 de outubro de 2015

Nem as primeiras eleições depois da ditadura foram livres.

A União, 17 de abril de 1975

Fonte: http://veraoquenteacores.blogspot.pt/


Hoje e sempre organiza-te e luta contra todas as formas de ditadura.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Discurso de Francisco Soares Silva no 1º de Maio de 1908

Discurso de Francisco Soares Silva no 1º de Maio de 1908 Camaradas: “Os túmulos, por enquanto, dos homens célebres são as relíquias da humanidade. O que vimos aqui fazer é simplesmente levantar uma tribuna e fazer reviver as doutrinas do Mestre. Não queremos com estas sinceras homenagens, classificar Antero como um santo, para que o canonizem mais tarde; isso não, porque ele não foi um Inácio de Loyola, nem um Torquemada … mas foi um mártir e um dos mais sinceros apóstolos da causa reivindicadora dos que trabalham. Para se poder avaliar a obra social de Antero é preciso que eu com duas palavras diga o que ele foi , mas … tenho pena de não ver aqui quem de muita boa vontade desejava ver; então numa ordem de princípios e factos demonstraria a certos cavalheiros que desde há muito não ando dormindo! O homem que dorme debaixo deste túmulo o sono perene, cursou a Universidade de Coimbra pela qual era bacharel formado em Direito, e, ao fim de quatro anos foi para Paris envergar a blouse de operário, trabalhando como um modesto artífice tipógrafo. Por isso Antero conhecia como nenhum outro escritor português a vida desgraçada do operariado. Qual seria a ideia de Antero de Quental, fazendo-se operário em Paris, depois da sua formatura em Direito? Que necessidades levaram este ilustre filósofo a fazer-se operário? Ah! Camaradas, este ponto é de grande responsabilidade e neste caso calar-me-ei. E sabeis porque é grande responsabilidade? Porque eu tinha de ser imparcial ao demonstrar o carácter de Antero, comparando-o com muitos que no inicio da sua vida politica, vêem enrolados na sua capa académica, com o pseudónimo de democratas, defendendo com muita retórica os direitos do povo, e depois de conseguirem o que desejam, vendem as suas ideias e convicções (se algum dia possuíram!) para se tornarem inimigos acérrimos das classes que defendiam com tanta verbosidade. ….. Antero viveu com o povo e morreu com o povo. Por isso os homens que defendem com tanto amor e lealdade as vítimas do trabalho, só têm jus às nossas sinceras homenagens e a que lhes desfolhemos flores sobre as suas campas”. (Vida Nova, nº 2, 25 de Maio de 1908)