quinta-feira, 12 de março de 2009

Campaign against Touradas / Bullfights in Azores,*

No to the stabbing and slaughtering of bulls in the Azores Islands ----At a time when some
people taking advantage of a change in the 2004 constitution concerning the Political
Statute of the Azores are preparing to persuade the Azores Legislative Assembly to
legalize stabbing and slaughtering the bulls a group of citizens have decided to fight to
defend animal rights including these bullfights which are part of the problem.
Considering that it is unacceptable for any animal to be tortured for human entertainment.
Considering that any act that includes the needless death of any animal is biocide or a
crime against life (Article II of the Universal Declaration of Animal Rights). Considering
that animal rights should be defended by law, just as Human Rights ( Article 14) and as
we believe that cultural evolution will replace tradition and ignorance we wish to show
our total disagreement with this intention and so appeal that:

1- That street rope bullfights should not be approved nor supported by public funds on
islands where they are not traditional.

2- That stabbing and slaughtering bulls, not being part of our tradition or culture
should not be legalized in The Autonomous Region of the Azores.

3- That regional legislation for the protection of animals should be approved,
considering the European Legislation and the Universal Declaration of Animal Rights that
was proclaimed on the 15 th of October, 1978 and approved by Unesco.

Dear friends,

If you agree with this petition, please add your signature together with your profession
and country.

We would be very grateful if you could obtain more signatures.

We thank you and hope you do this to avoid unnecessary suffering of defenceless animals.

Teófilo Braga

Blog Terra Livre: http://terralivreacores.blogspot.com/

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* By anti-authoritarian anti-capitalist ecologist group from Azores

http://www.ainfos.ca/A-Infos/ainfos38552.html

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Não à sorte de varas nem aos touros de morte nos Açores



Apelo a todos os cidadãos e cidadãs e a todas as organizações ambientalistas/ecologistas e de defesa dos animais

Depois de várias tentativas frustradas de introduzir na ilha Terceira corridas picadas e touros de morte, tem-se assistido nos últimos anos a uma imposição das touradas à corda em ilhas onde não há qualquer tradição, como Santa Maria ou São Miguel, com a conivência ou apoio governamental ou autárquico.

Numa altura que as vozes de sempre aproveitando a revisão constitucional de 2004 e o novo Estatuto Político dos Açores, se preparam para fazer aprovar, na Assembleia Legislativa Regional, legislação que legalize a sorte de varas e depois os touros de morte, um grupo de cidadãos e cidadãs decidiu começar a luta em defesa dos direitos dos animais de que as touradas são uma parte do problema.

Considerando que não é aceitável que nenhum animal seja torturado para entretenimento do ser humano. Considerando que todo o acto que implique a morte de um animal, sem necessidade, é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida (Artigo 11º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais). Considerando ainda que os direitos dos animais devem ser defendidos pela Lei, assim como o são os direitos do homem (Artigo 14º) e por acreditarmos que a evolução cultural irá sobrepor-se à tradição e à ignorância, vimos manifestar a nossa profunda discordância com a referida pretensão e apelar para que:

1- Não sejam promovidas nem apoiadas, com recurso a dinheiros públicos, touradas à corda, nas ilhas onde tal prática não é tradição;

2- Não venham a ser legalizadas as corridas picadas e os touros de morte, por serem alheias à nossa cultura, na Região Autónoma dos Açores.

3- Seja aprovada legislação regional de protecção dos animais que tenha em consideração o disposto na legislação europeia e na Declaração Universal dos Direitos dos Animais que foi proclamada em 15 de Outubro de 1978 e aprovada pela Unesco.

Primeiros Subscritores:

Aíridas Dapkevicius (investigador-bolseiro)
Almerinda Valente (professora)
Ana Carina Ávila da Silva (consultora comercial)
André Magalhães de Barros (recém-licenciado em direito)
Aníbal Pires (professor)
António Serpa (bancário)
Artur Gil (engenheiro)
Carla Silva (bióloga)
Catarina Furtado (professora)
Cláudia Tavares (professora)
Eduardo Santos (técnico de comunicações)
Eva Lima (Geóloga)
Gabriela Mota Vieira (enfermeira)
George Hayes (professor)
Helena Primo (professora)
Herondina Meneses (professora)
Hugo Evangelista (biólogo/investigador)
Humberta Maria Ferreira de Medeiros (funcionária publica)
Isabel Albergaria (professora)
João Pacheco (professor)
João Pinto (professor)
José Andrade Melo (professor)
José Guerra (professor)
José Luís Q. Mota Vieira (aduaneiro)
José Lopes Basílio (professor)
José Pedro Medeiros (bancário)
Leonor Galhardo (bióloga)
Lubélia Travassos (secretária)
Lúcia Ventura (professora)
Luís Noronha Botelho (professor)
Lurdes Valério e Cunha (professora)
Manuel Araújo (engenheiro)
Manuel Sá Couto (professor)
Maria José Vasconcelos (professora)
Maria Manuela Borges Gonçalves do Livro (professora)
Mário Furtado (professor)
Miguel Fontes (estudante)
Nélia Melo (professora)
Olinda Costa (professora)
Patrícia Costa (professora)
Paulo Borges (professor universitário)
Pedro Albergaria Leite Pacheco (professor)
Rita Melo (bióloga)
Ricardo Nuno Espínola de Ávila (educador de infância)
Rui Soares Alcântara (professor)
Sandra Câmara (bióloga)
Sérgio Diogo Caetano (geólogo)
Teófilo Braga (professor)
Vitor Medina (professor)
Zuraida Soares (professora)

Todas as pessoas singulares ou colectivas (formais ou informais) e blogues que queiram subscrever este apelo deverão enviar um mail para este blog(terralivreacores@gmail.com) manifestando a sua intensão e indicando o nome, profissão (ou instituição a que pertence)e local de residência (no caso dos cidadãos/cidadãs) nas associações e outros colectivos deverão indicar o nome e o local.

Agradece-se a divulgação desde Apelo.

Extraído de: http://terralivreacores.blogspot.com/

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Anarquismo em Portugal

Sobre o anarquismo em Portugal
por Júlio Henriques

Ao contrário da Espanha (ou da Grécia), o pensamento e as práticas anarquistas não parecem ter deixado em Portugal um lastro profundo. Expressões disso mesmo podemos encontrá-las no facto de a sociedade portuguesa continuar a ser na Europa aquela onde existem as maiores discrepâncias sociais ou no facto, até, de a figura do cidadão não se encontrar instituída nas formas de tratamento, mantendo-se hoje, na democracia formal, as que se institucionalizaram durante a ditadura salazarista, no velho «país dos dótores» que José Cardoso Pires satirizou com verve nos anos 60.
Parece de facto estranho que um movimento político e social que se mostrou tão pujante entre finais do século XIX e os finais da década de 1920, e que constituiu sem dúvida a mais importante corrente revolucionária do movimento operário em Portugal, tenha por assim dizer desaparecido após os anos 30, não se tendo transmitido de forma muito expressiva o seu património filosófico e a sua memória política e social às gerações que actuaram durante os longos anos da ditadura. (Sendo aliás a extraordinária capacidade de duração do Estado Novo um outro elemento porventura revelador da não transmissibilidade do anarquismo nas condições portuguesas.)
Em Portugal, o movimento anarquista foi suplantado no terreno da oposição, a partir dos anos 30, pelo Partido Comunista, criado em 1921 como uma cisão que aliás teve origem nas fileiras do operariado libertário. Essa suplantação ficou a dever-se a várias circunstâncias, a mais importante das quais terá sido o enorme entusiasmo que a Revolução Russa de 1917 despertou também em Portugal e a concomitante «superioridade política» com que esse acontecimento surgiu aos olhos de uma parte dos militantes em luta, tendo em conta que a Revolução Russa apareceu como uma revolução proletária vitoriosa e que em Portugal só ao fim de alguns anos se começaram a ter informações sobre a sua realidade política, ou seja, sobre a concentração do poder nas mãos do partido bolchevique (contrariando o lema libertário «todo o poder aos sovietes») ou sobre a implacável perseguição que esse poder passou a mover à autonomia operária em geral e aos anarquistas em particular.
Nas condições de clandestinidade impostas a qualquer actividade de oposição pelo Estado Novo, a organização que veio a encontrar-se em relativamente melhores condições de subsistir e progredir foi o PCP, devido à sua própria estruturação hierarquizada e de tipo conspirativo e ao facto de poder contar com o apoio de uma importante retaguarda, a URSS. Os anarquistas, além de terem sido grandemente dizimados nos afrontamentos finais do período da I República e do advento do fascismo, não dispunham de uma retaguarda de apoio; e, por outro lado, as suas formas organizativas, de carácter horizontal, não se adequavam às condições da clandestinidade.
Em todo o caso, as organizações anarquistas não puderam manter-se em actividade de modo a transmitirem o seu legado, de forma operacional, às gerações seguintes. E ao mesmo tempo o PCP foi adquirindo um grande ascendente ideológico, com base na sedução exercida pela URSS e nas lutas empreendidas na clandestinidade, o que o levou a tornar-se hegemónico na oposição ao regime fascista, resultando dessa hegemonia, do ponto de vista teórico e da influência ideológica por ele exercida, o quase apagamento da história do anarquismo em Portugal e das perspectivas de uma revolução de características anti-autoritárias assente na autogestão, ou seja, num poder exercido directamente pelos trabalhadores através da expropriação dos capitalistas.
Alguns anarquistas continuaram sem dúvida a tentar levar a cabo diversas acções contra o regime fascista, quer em Portugal quer no estrangeiro, onde muitos deles se exilaram. Dos que actuaram no estrangeiro, é de sublinhar o caso de Edgar Rodrigues, sem dúvida ainda hoje o mais activo historiador do anarquismo português, que no Brasil publicou vários livros de denúncia da ditadura salazarista, um dos quais, A Fome em Portugal (este em parceria com Roberto das Neves), teve bastante repercussão nos anos 60.
Depois do 25 de Abril de 1974, os anarquistas portugueses ressurgiram no terreno público, muitos deles regressados do exílio, abriram sedes, participaram nas lutas sociais e políticas suscitadas pelo golpe de Estado popular, publicaram artigos e livros notáveis. O anarco-sindicalista Emídio Santana, conhecido co-autor do atentado contra Salazar em 1937, foi um dos mais activos. Mas muitos dos militantes libertários eram pessoas já bastante idosas; o contacto com eles foi uma experiência fundamental, quer para o conhecimento directo, em primeira mão, de uma parte essencial da história do movimento operário e anarquista, quer como partilha de uma humanidade rara, de pessoas com uma profunda consciência de classe e que mantinham viva a noção de que a transformação revolucionária deve ter por base a auto-emancipação. Outros, muito mais jovens, ex-refugiados ou exilados como desertores e refractários ao exército colonial, tinham descoberto o anarquismo, em melhores condições de informação, no estrangeiro (inclusive o anarquismo português), sobretudo a partir da grande revolta de Maio de 68.
Mas a verdade é que, apesar da relativa proliferação de grupos e publicações anarquistas após o 25 de Abril, nunca se reconstituiu nenhuma federação libertária com capacidade para intervir a longo prazo na sociedade e com resultados substanciais. Pelo menos até um período recente, o diálogo desses vários grupos afins, susceptível de exprimir um confronto estimulante, revelou-se em geral fraco ou mesmo inexistente, apresentando-se amiúde o anátema mútuo como a única relação possível; repetindo com isso, no fundo, o clima de suspeição sistemática e de concorrência que os grupos de extrema-esquerda levaram à exaustão paranóica e à caricatura nos anos 70.
Tais circunstâncias acabam sempre por ter repercussões doentias, levando os indivíduos e os grupos a assumir características de seitas que se digladiam e a criar formulações e uma linguagem que só podem afastá-los uns dos outros e das próprias realidades circundantes.
Nos últimos anos, no entanto, parece começar a emergir um outro clima, fruto também, possivelmente, das próprias condições que o capitalismo vem forjando no sentido de um aprofundamento do desastre que ele constitui.
Por JÚLIO HENRIQUES *
* Tradutor.

quarta-feira 4 de Fevereiro de 2009

Fonte: http://pt.mondediplo.com/spip.php?article453

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O anarquismo na revolução

Na realidade, existe uma não pequena confusão sobre o que seja anarquismo. O próprio termo foi usado por vários autores antes de Bakunin, nomeadamente por Proudhon (que não foi o primeiro). Estes estavam conscientes que o termo estava conotado com o conceito de caos, desordem. Porém, eles acreditavam que a negação da «arquia» ou seja do poder, entenda-se do poder político, do poder sobre os outros, se tornaria o sentido predominante. A burguesia, vendo que era uma teoria que acrescentava perigo às «classes perigosas», decidiu estigmatizar o termo como sinónimo da pior desordem social.

Apesar disso, a realidade dos meados do século dezanove fez com que o anarquismo esteve muito mais próximo das classes populares e inspirou muito mais os revolucionários da Iª Internacional, do que o comunismo/socialismo/social-democracia, autoritários, protagonizados por Marx e todos os que consideravam que a formação de partidos, capazes de disputar as eleições e obter deputados nos parlamentos, era a única saída para a classe trabalhadora.

A primeira revolução proletária, a Comuna de Paris, mostrou ao próprio Marx que a comuna era a forma orgânica de poder popular, um tipo de governo federalista, onde todas as secções estavam mobilizadas para realizar as tarefas da revolução, sob controlo permanente das assembleias.

Alguns anos mais tarde, em 1905, na primeira grande revolta do proletariado russo, surgiu uma forma de organização, os conselhos de operários ou sovietes, das fábricas em greve, das fábricas ocupadas, inspirada pelos anarquistas russos e que ia beber à comunidade rural tradicional (o Mir) que ainda estava viva neste época e que Kropotkine descreveu. Eram estes os verdadeiros sovietes!

Após a revolução de Fev. de 1917 estes ressurgiram, uns saindo da clandestinidade, outros organizados pela primeira vez, nomeadamente os sovietes de soldados. Foi uma habilidade de Lenine, maquiavélica, de fazer crer que o partido bolchevique estava com a organização dos sovietes, o famoso slogan «todo o poder aos sovietes», que proclamou após o triunfo do golpe de 7 de Novembro de 1917: foi exactamente o princípio do fim dos sovietes como organismos de organização do povo, do proletariado.

O último soviete livre, o de Kronstadt, de onde tinha partido a insurreição da marinha, foi afogado no sangue pouco tempo depois, em 1921 (http://www.struggle.ws/russia/mett/background.html).

Mas os libertários tiveram outras experiências de organização federalista, horizontal, em democracia directa: qualquer revolução ocorrida na Europa, após a revolução russa, recorreu aos conselhos de operários insurrectos: foi assim nas comunas de Berlim e Munique, na república dos Conselhos húngara, biénio rosso italiano, na vaga de greves que acompanhou a vitória do Front Populaire em França e por fim, na revolução espanhola.

Nestes episódios trágicos, os comunistas autoritários frequentemente tiveram um papel de controlar e depois de abafar esses embriões de poder popular. Eles nunca deixaram que os trabalhadores assumissem uma verdadeira auto-gestão. Eles mantiveram o sindicalismo estritamente ligado a um corporativismo, reaccionário e ineficaz. Negaram e combateram o sindicalismo revolucionário, mesmo quando se auto-proclamavam como tal. Estiveram sempre do lado do poder, pois sempre foram idólatras do poder, apenas usando retórica revolucionara.

O sectarismo foi sempre o traço dominante do seu pensamento. Fomentaram as divisões sindicais, tornaram difícil ou impossível a constituição de frentes de resistência ao fascismo em crescimento nos anos 20, apenas mudando de táctica quando já mais de metade dos países da Europa estavam com regimes fascistas (nos anos 36- 39 a Alemanha, a Polónia, a Hungria, a Roménia, a Jugoslávia, a Albânia, a Grécia, a Bulgária, a Itália, Portugal eram regimes fascistas ou fascizantes).

Os anarquistas que estavam nos sindicatos foram apelidados de «anarco sindicalistas» pelos leninistas, que pretendiam assim estigmatizar, isolar, apontar do dedo, aqueles que não aceitavam a hegemonia do PC sobre o movimento social e sindical. Os sindicalistas revolucionários autênticos tentaram evitar as rupturas, bateram-se para que houvesse uma frente unida sindical. Porém, os bolcheviques das diversas tendências digladiavam-se como hoje, para ver quem hegemonizava o movimento sindical. Por isso o movimento sindical acabou por ser esmagado, a república espanhola foi esmagada pelos fascistas de toda a Europa e não apenas pelas tropas de Franco. Graças a isso Estaline pode fazer o seu pacto germano-soviético, com a partilha da Polónia como prémio. Assim começou a IIª guerra mundial. O povo russo pagou bem caro a loucura do seu ditador. A destruição que sofreu o povo soviético foi muito maior porque Estaline não queria dar nenhum sinal
de que tinha qualquer desconfiança para com Hitler!

As pessoas são mantidas na ignorância da história dos movimentos revolucionários, insurreccionais, porque não vão procurar as visões menos ortodoxas, aceitam com uma candura impressionante os «clichés» que são propagados pelos livros escolares de História, ou pelas cartilhas dos partidos ditos «operários».

Se nos debruçarmos para compreender verdadeiramente a realidade desses movimentos insurreccionais, vemos que eles não obedecem de forma nenhuma aos esquemas simplistas que os ideólogos propagam.

Hoje igualmente, com a insurreição grega, passa-se a mesma coisa. Os média ao serviço do poder não explicam o contexto, apenas assustam as pessoas com imagens de «violência».

Manuel Baptista

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Declaração Sobre Gaza

A existência de um morticínio, aqui à nossa porta, em Gaza, é um sinal da barbárie instalada. Recusamos a chamar a isso «acção de guerra»; a acção punitiva de Israel é uma violação das convenções de Genebra e dos mais elementares direitos humanitários, inserindo-se na actuação genocida de que os palestinianos têm sido vítimas. De facto,

O ataque a populações civis tem sido efectuado continuamente
Os civis são impedidos de sair da zona por um cerco continuado que dura desde que o Hamas teve a maioria em 2006 (não só em Gaza, em todo os Territórios palestinianos, com 70% dos votos)
Os civis são sujeitos a uma contínua e planeada escassez de alimentos, água potável, energia, medicamentos, etc., intensificada nesta ocasião pelos israelitas.
Os ataques são motivados pelo desejo de eliminação física de inimigos políticos, sendo os alvos declarados figuras políticas do movimento Hamas e da restante resistência palestiniana.
As acções de guerra de Israel são muito mais do que actos de retaliação pelos foguetes disparados a partir de Gaza, não só pela sua desproporção (mais de 400 mortos do lado palestiniano, contra 4 mortos do lado Israelita), como pelo facto de se mostrarem ineficazes.

O objectivo dos sionistas de Israel é claro: pretendem, nesta «janela de oportunidade», entre a passagem de poderes de presidente dos EUA, resolver o «problema do Hamas», com a conivência da chamada Autoridade Palestiniana. Sucede que o "problema Hamas" nasceu do repúdio dos palestinianos pela corrupção da Autoridade a qual, para subsistir, necessita do apoio político e material de Israel. E os massacres levados a cabo por Israel, não só acentuam a resistência do povo ao inimigo sionista, como isolam a Autoridade, obrigada a brandos protestos contra as acções de Israel.

Israel é uma entidade totalmente ilegítima, uma vez que se constituiu sobre territórios conquistados pela guerra ou usurpados por leis racistas, de acordo com as quais, os palestinianos em particular e os árabes em geral são uma "raça" inferior, sem direito à legitimidade emanada dos seus textos "sagrados".

O seu objectivo, desde o início da ocupação é expulsar a população palestiniana de Gaza e da Cisjordânia, com políticas que tornam a vida normal impossível para as populações. Agora, como nos massacres de 1948 pretendem gerar uma situação de força para aceitarem, e devido tempo, uma trégua onde os palestinianos terão a oportunidade «generosa» de fugir desse inferno, do maior campo de concentração que jamais existiu!

Estamos perante um genocídio encapotado, iniciado antes da fundação do próprio estado sionista, assumindo, em certos momentos, características de «limpeza étnica». Não esqueçamos que o slogan do movimento sionista (já no século XIX) era: «para um povo sem terra (o povo judeu) uma terra sem povo (a Palestina)», pretendendo fazer passar a ideia de que a Palestina seria um quase deserto e negando, portanto, a existência do povo palestiniano constituído por gente de confissões religiosas distintas (muçulmanos, judeus e cristãos) vivendo sem conflitos confessionais.

O que permite isto tudo é a atitude de falsa neutralidade dos poderes ocidentais, incluindo a posição hipócrita de europeus, que se pretendem numa posição de equidistância quando, na verdade, é um povo inteiro que está a ser martirizado por um poder colonial. Quando considerarem a limpeza étnica suficiente, os europeus, com capacetes azuis ou de outra cor, legalizarão tudo como fizeram em relação à ex-Jugoslávia, pretendendo estabilizar uma partição étnica que Israel nunca considerará acabada enquanto não constituir o seu Eretz Israel, estado "etnicamente puro" mas, com bantustões árabes fornecedores de mão de obra precária e barata nas imediações.

Uma parte importante da opinião pública é iludida com a ideia racista de que os israelitas «são como nós» europeus, sendo os palestinianos «árabes». Isso é falso, primeiro, porque não existe um fosso político e cultural tão grande entre a população palestiniana, em que uma fracção importante adopta uma atitude laica em religião e tem um posicionamento semelhante às várias correntes políticas e ideológicas do ocidente. Depois, porque etnias ou diferenças civilizacionais não constituem fontes de legitimidade para uma classificação de um povo como superior ou inferior em relação a outros.

Trata-se, neste momento, de denunciar uma imagem falsa, difundida pelos órgãos responsáveis da UE de equidistância neutral, como se tudo se tratasse de um desaguisado entre detentores de direitos legítimos. Não há equivalência, mas, um lado agressor, opressor, colonial, culpado de genocídio e criminoso de guerra (o lado israelita) e um lado agredido, oprimido nos seus anseios legítimos, no seu direito à própria vida, vítima num genocídio que se estende por gerações (o lado palestiniano). Mesmo quando este último recorre a uma legítima e justa luta armada, a tratar-se de um combate entre «David e Golias», David, não é o futuro rei dos Judeus, mas um pastor palestiniano, lutando pelo direito à existência.

O Colectivo Luta Social (Portugal)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

TRAIÇÃO SINDICAL


Nos Açores, está em curso uma revisão do ECDRAA - Estatuto da Carreira Docente dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário e dos Educadores. Nos próximos dias realizar-se-ão negociações entre o Governo e os dois maiores sindicatos, o SDPA, filiado na FNE(UGT) e o SPRA, membro da FENPROF (CGTP).

Este último sindicato, contráriamente ao que seria de esperar (ou não) tem sido um grande aliado do Governo Regional dos Açores. Com efeito, nos últimos tempos, dirigentes e delegados sindicais seus têm boicotado todas as iniciativas independentes dos professores dos Açores apelando à revisão/revogação do Estatuto em vigor e a suspensão do actual modelo de avaliação.

Curiosamente os seus dirigentes não têm qualquer "complexo" em aparecerem nas manifestações espontaneas que se têm realizado em Ponta Delgada.

Para que não não caia no esquecimento, abaixo transcrevo o relato de um plenário do SPRA onde convidado de honra esteve presente Álamo Meneses, o pai do ECDRAA e do modelo de avaliação que se pretende remendar.

Aqui vai:


Vocês sabiam que em Outubro de 2006 o presidente (Armando Dutra) do maior sindicato açoriano (SPRA) teve o desplante de convidar para um plenário desse sindicato o secretário regional da educação (que é o equivalente a um ministro da educação para os açores). Pois é o tal secretário regional da educação (Álamo de Meneses) que em Janeiro de 2002, à laia de Hitler, implantou um regime de concursos xenófobo que entretanto também se generalizou á Madeira. Este artista segue a linha de pensamento de pessoas como : José Sócrates ou Mª de Lurdes Rodrigues com a diferença de ter um pouco menos de vergonha na cara. Só para terem uma ideia este secretário regional da educação (Álamo de Meneses) já chegou a dizer em reuniões com sindicatos coisas como : 1) “Quem não está satisfeito não venha trabalhar para cá !!! “ 2) “Não lhe agrada esta ou aquela norma do ECD ? mas olhe que não faltam pessoas que querem ser professores !” 3) Relativamente ao regime de faltas , atestados etc disse : “Até nos internamentos eu hei-de meter a unha ” Quanto ao ECD para os Açores que não hajam ilusões é a mesma Mer… e o processo negocial também !!! ou seja: é inexistente e pelos vistos o secretário regional da educação (Álamo de Meneses) já anda a manipular os sindicatos pela pessoa do Sr Armando Dutra, que agora já o convida para plenário sindicais. HAJA VERGONHA !!! Falta explicar o que aconteceu no referido plenário. Sim, afinal o que faz um secretário regional da educação num plenário sindical ? Fez o que todos os políticos fazem quando lhe surge muita gente pela frente: “política essencialmente”. Mas não foi uma política qualquer, os nossos políticos estão a desenvolver um novo estilo de fazer política e o ataque aos funcionários do estado faz parte da estratégia. De uma forma mais ou menos explicita este bicho teve a lata de deixar mensagens do género : 1) não julguem que aqui o ECD vai ser diferente !!! ; 2) os professores trabalham pouco ; 3) os professores faltam muito ..é uma vergonha a quantidade de atestados que surgem colados às férias de Natal ; etc Ou seja para além de fazer política gozou claramente na cara dos presentas. Bem e querem saber a melhor… a generalidade dos professores ouviu e aplaudiu … É caso para dizer: « têm o que merecem !!!» (e aqui não posso dizer “temos” porque eu demarco-me claramente deste tipo de palhaços e palhaçadas).

Extraído daqui: http://www.saladosprofessores.com/index.php?option=com_smf&Itemid=62&topic=7340.0

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Boicote o Natal, contra o consumismo compulsivo!



O capitalismo tem como uma das suas bases de exploração e opressão a imposição do consumismo sem peias, alimentado por uma estrutura de propaganda nos moldes fascistas e nazistas. Introjetam diáriamente uma falsa necessidade de usar coisas superfluas, das quais se não usamos, ficamos infelizes e ansiosos para te-las o mais rápido possível.
Não há ou não havia limites para este modelo de consumismo desenfreado, mas como tudo tem um fim, o consumismo compulsivo pregado pelo capitalismo chegou no limite, o planeta já não tem como absorver tanto lixo produzido e agora precisa rever sua própria estrutura. A base fundamental do capitalismo, que o reproduz está em crise e temos que contribuir que não saia dessa crise, levando a um colapso de produção e distribuição. Nossa classe deve se organizar para assumir e apresentar uma nova forma de produção e distribuição em que sustente ao mesmo tempo todos que precisam e produzem, e manter o planeta vivo!
Muitos querem fazer uma revolução, mas revoluções precisam de um começo, porque não boicotando o natal, não consumindo da forma que pregam aos quatro ventos as propagandas.
Aqueles que buscam na data um significado religiosos, deveriam questionar suas igrejas, padres e pastores porque não compartilham suas riquezas, afinal a proposta fundamental neste período é compartilhar, não só os sentimentos, mas as riquezas materiais, que ajudariam milhões de almas na terra!
O Vaticano está podre de riqueza, temos aqui várias seitas evangélicas nadando de braçada em milhões de reais, isso enquanto seus fieis estão iludidos, entregando sua parcas economias à promessas vazias e incertas!
Mas tudo, bem cada um com a sua, mas não oprimam, não explorem a ignorãncia e esperança de muitos, condenando-os a trabalharem como seus escravos na terra, para uma suposta redenção em algum lugar abstrato.
E depois, nós é que somos utópicos!!!! Enquanto esperam Deus salvar, porque não redimir os problemas sociais com uma revolução? Para um suposto Deus, isso seria louvável!
Então reflita, não contribua para as fraudes natalinas, não alimente o consumismo compulsivo e nem religiões farsantes!
Nada temos a perder, a não ser nossas algemas!!!

Texto extraído da página Web do Sindicato de Artes e Ofícios Vários de Campinas