terça-feira, 2 de setembro de 2008

Nas Próximas Eleições Regionais Não Votes


PORQUE OS ANARQUISTAS NÃO VOTAM

TUDO o que pode ser dito a respeito do sufrágio (voto) pode ser resumido em uma frase: Votar significa abrir mão do próprio poder. Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade. Chamado monarca absoluto, rei constitucional ou simplesmente primeiro ministro, o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos "acima" de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nesta condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas. Votar é uma idiotice.

É tão tolo quanto acreditar que os homens comuns como nós, sejam capazes, de uma hora para outra, num piscar de olhos, de adquirir todo o conhecimento e a compreensão a respeito de tudo. E é exatamente isso que acontece. As pessoas que elegemos são obrigadas a legislar a respeito de tudo o que se passa na face da terra: como uma caixa de fósforos deve ou não ser feita, ou mesmo se o país deve ou não guerrear; como melhorar a agricultura, ou qual deve ser a melhor maneira para matar alguns árabes ou negros. É muito provável que se acredite que a inteligência destas pessoas cresça na mesma proporção em que aumenta a variedade dos assuntos com os quais elas são obrigadas a tratar. Porém, a história e a experiência mostram-nos o contrário.

O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade. Nas assembléias acaba sempre prevalecendo à vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média. Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade. Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa.

Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se em seu senhor. Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o rei em sua ante-sala na corte! A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.

Por isso, não abandone sua liberdade. Não vote! Em vez de incumbir os outros pela defesa de seus próprios interesses, decida-se. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor. E faça isso agora! Homens convictos não esperam muito por uma oportunidade. Colocar nos ombros dos outros a responsabilidade pelas suas ações é covardia...

Não Vote!!!

Élisée Reclus

domingo, 31 de agosto de 2008

A Natureza Desprezada



O homem já não ama a natureza: proprietário, vende-a, aluga-a, divide-a por acções, prostitua-a, trafica-a, torna-a objecto de especulações; cultivador, atormenta-a, viola-a, esgota-a, sacrifica-a à sua impaciente cupidez, nunca se une a ela" Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865)

Para saber mais sobre este filósofo, grande teórico do anarquismo, consulte os seguintes links:

ANOVIS ANOPHELIS

Pierre-Joseph Proudhon

domingo, 20 de julho de 2008

Pedro da Silveira (1922-2003)



Pedro Laureano Mendonça da Silveira (Fajã Grande, 5 de Setembro de 1922 — Lisboa, 2003), mais conhecido por Pedro da Silveira, foi um poeta, crítico literário e investigador, com vasta colaboração dispersa em periódicos e revistas. Fez parte do conselho de redacção da revista Seara Nova (até 1974) e é autor de várias obras de poesia e de recensão literária, estreando-se com o livro A Ilha e o Mundo (1953). É autor de duas antologias de poetas açorianos, a primeira das quais com um prefácio em que autonomiza a literatura deste arquipélago em relação a todas as outras literaturas de expressão lusófona. Integrou a comissão de gestão Biblioteca Nacional de Lisboa, da qual se aposentou como director dos Serviços de Investigação e de Actividades Culturais.
(extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Laureano_Mendon%C3%A7a_da_Silveira)

“Aos dezanove anos estava em Angra do Heroísmo, estudando e participando na vida cultural da cidade, sem descurar conhecer o que havia para lá das ilhas. Em entrevista ao suplemento «Quarto Crescente» (1987), Pedro da Silveira refere a forma como pretendeu construir a sua personalidade, quer como cidadão quer como escritor. Disse: «Havia na cidade, pelo menos em certos meios, um culto muito fiel por Jaime Brasil e por Aurélio Quintanilha, ambos terceirenses e ambos anarco-sindicalistas. Para aí me inclinei e ainda agora, se alguma ideologia política é capaz de me dizer alguma coisa, essa é o socialismo acrata ou anarquismo.”
(extraído de http://triplov.org/boletimnch/boletimnch_2004/alamo_oliveira.htm)

“Paralelamente, uma formação ideológica segura, também ela nascida de modo heterodoxo, selada ainda na sua adolescência nas Flores, onde conheceu alguns exilados políticos, que, confessa ele, lhe revelaram quem era Salazar e ao que vinha. Com eles primeiro, com um grupo anarquista em Angra depois, consolidaram-se os princípios essenciais que o acompanhariam por toda a vida, como havia de confessar já no fim, ao revelar a sua inclinação política numa célebre entrevista concedida ao jornalista terceirense Joel Neto, publicada na Focus (2001).
Foi pois em Angra, no “Núcleo da Juventude Anarco-Sindicalista, impulsionado pelo regicida Alfredo Costa”, que consolidou os seus dois inimigos: Lenine e Salazar.”
(extraído de http://www.nch.pt/biblioteca-virtual/bol-nch15/n15-4.html)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

EMMA GOLDMAN



Quem foi?

Emma Goldman (27 de Junho, 1869 – 14 de Maio, 1940) foi uma anarquista de origem lituana que ficou conhecida pelos seus textos e discursos feministas e pelos seus testemunhos acerca da Revolução Russa. Após emigrar para os Estados Unidos em 1886, é expulsa em 1919 em razão da sua intensa atividade política. Volta então para a Rússia, mas volta a abandonar o país por discordar do rumo autoritário tomado pelo governo bolchevique. Viveu em vários países, participou da guerra civil espanhola e veio a falecer no Canadá. Emma Goldman é, até hoje, a anarquista mais famosa da história dos Estados Unidos, país no qual viveu a maior parte de sua vida, mesmo se comparada com os homens anarquistas.

É dela a famosa frase: "Se não posso dançar, não é minha revolução", que define de maneira simples a idéia anarquista de liberdade. Para saber mais clique aqui.

Curiosidade

O livro de Clara Queirós é dedicado à açoriana "Maria da Luz Medeiros, que nasceu na Lomba de Santa Bárbara, São Miguel, Açores, numa família rural, pobre e de emigrantes."

Para saber mais:

http://radioladf.radiolivre.org/?q=node/214


http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752007000200007&lng=pt&nrm=iso

sábado, 14 de junho de 2008

Os Anarquistas

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Educação Libertária segundo o Açoriano Aurélio Quintanilha



Apesenta-se abaixo o resumo da tese de Amélia Gomes sobre o pensamento do libertário açoriano Aurélio Quintanilha, que nasceu na freguesia de Santa Luzia de Angra, ilha Terceira, a 24 de Abril de 1892 e morreu em Lisboa em 1987, com 95 anos.


"Esta tese incide sobre Aurélio Quintanilha, um dos muitos cientistas e investigadores portugueses, cujas ideias educativas e pedagógicas são, praticamente, desconhecidas, na comunidade académica do nosso país. Foi, também, um dos muitos funcionários públicos aposentado, compulsivamente, pelo Governo de Salazar, ao ser considerado opositor aos princípios fundamentais da Constituição Política. Era, na altura, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Pretende esta tese relevar o quão marcante foi o seu trajecto como pedagogo libertário, destacando aquele que foi sempre o seu lema: ser professor. Para isso recorreu-se a pedagogos tidos como autoridades nesta matéria para ajudar a perceber a emergência do ideal libertário durante a segunda metade do século XIX e, por outro lado, reforçar e consolidar a influência anarquista em Aurélio Quintanilha, assim como o seu perfil libertário patente na sua principal obra Educação de Hoje, Educação de Amanhã (1921), analisaram-se alguns modelos educativos que influenciaram, directamente, a sua metodologia, a relação professor – aluno e, principalmente a estrutura e dinâmica de um processo de ensino que apostava numa escola que despoletava as capacidades cognitivas do aluno, reiterando a necessidade, por razões pedagógicas e sociais, duma educação profissional proporcionadora de uma profissão útil. Salienta-se, também, que à educação libertária proposta por Aurélio Quintanilha, não lhe interessava um ensino livresco, de conhecimentos abstractos, mas sim a consecução de um desenvolvimento harmónico de todas as faculdades da criança assim como da sua saúde, e a aquisição de uma liberdade interior que se convertesse para o cidadão numa realidade permanente. Todo este processo de aprendizagem devia ter em conta a actividade pessoal da criança e os seus interesses espontâneos, assim como a formação da consciência moral e da razão prática do estudante, desenvolvendo-se num ambiente onde imperassem os direitos e os deveres cívicos. Isto é, na proposta de uma pedagogia libertária, todos os actos individuais deviam contribuir para o bem estar colectivo, ou seja, deviam harmonizar o ideal de perfeição de cada um com o ideal de perfeição e de bem estar social. Esta tese pretende assim, recorrendo ao pensamento de vários anarquistas, fundamentar o ideário libertário de Aurélio Quintanilha na sua proposta de reforma pedagógica, ensino este que promovia a actividade espontânea da criança, procurando formar cidadãos responsáveis dos seus direitos e deveres."
A tese completa pode ser lida aqui.

1º de Maio- Dia de Luta